Backrooms: como a A24 transformou o maior pesadelo da internet em um filme de sucesso

Backrooms: como a A24 transformou o maior pesadelo da internet em um filme de sucesso

O novo filme da A24, inspirado na lenda urbana dos Backrooms, estreia liderando as bilheteiras brasileiras e revela os bastidores da construção desse espaço perturbador que fascina milhões na internet.
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O fenômeno Backrooms: do meme ao cinema

Imagine um lugar onde você nunca esteve, mas que parece estranhamente familiar. Corredores sem fim, papel de parede amarelo, carpete surrado e luzes fluorescentes criam um espaço liminar que mistura memórias de consultórios, salas de espera e corredores de lojas. Esse cenário, conhecido como Backrooms, nasceu de uma lenda urbana digital e agora chega aos cinemas em uma produção da A24.

O filme Backrooms: Um Não-Lugar estreou no topo das bilheteiras brasileiras e já garantiu a melhor abertura global da história da A24, ultrapassando US$ 118 milhões. O sucesso do longa é ainda mais impressionante considerando a idade do diretor: Kane Parsons, de apenas 20 anos, se tornou o mais jovem cineasta da produtora.

Parsons descobriu os Backrooms ainda no ensino médio, navegando por subreddits e fóruns de fãs. Transformou a creepypasta em uma série de vídeos no YouTube que viralizaram, conquistando milhões de visualizações e criando uma comunidade ativa de fãs e teóricos.

O que são os Backrooms?

A primeira menção aos Backrooms surgiu em um post do 4chan nos anos 2010, apresentando quartos vazios com papel de parede amarelo, teto baixo e iluminação de escritório. Um comentário definiu o conceito: um lugar para onde você vai se “escorregar para fora da realidade”, repleto de corredores intermináveis, carpete úmido e o zumbido incessante das lâmpadas fluorescentes.

Essa ideia ganhou vida própria, se espalhando em fanfics, wikis e teorias online. O conceito evoluiu quando Kane Parsons, aos 16 anos, publicou o vídeo “The Backrooms (Found Footage)” no YouTube, que ultrapassou 78 milhões de visualizações e originou uma série de 16 episódios.

Nos vídeos, uma corporação fictícia chamada Async Research Institute teria criado os Backrooms para solucionar problemas de superpopulação, mas os detalhes permanecem envoltos em mistério. A atmosfera de estranhamento e nostalgia, reforçada por ambientes vazios e elementos cotidianos fora de contexto, tornou-se marca registrada dos Backrooms.

Como a A24 construiu os Backrooms na vida real

Para transportar a sensação de pesadelo liminar para a tela, o designer de produção Danny Vermette, conhecido por trabalhos em outros filmes de terror, liderou a construção de um set físico impressionante. Foram utilizados 37 mil metros de papel de parede e 29 mil metros de carpete para criar os ambientes icônicos do Backrooms. Além disso, a equipe combinou cenários práticos com cenas digitais desenvolvidas no Blender.

O processo de pesquisa foi intenso. Vermette mergulhou em vídeos, fóruns e conteúdos criados por fãs para entender a fundo o universo dos Backrooms. Segundo ele, o diretor Kane Parsons tinha uma visão muito clara sobre o que deveria ser fiel à mitologia da internet, inclusive exigindo mudanças no roteiro para manter a essência do espaço: repetitivo, ilimitado e com regras próprias.

Desafios na escolha dos materiais e iluminação

Um dos principais desafios foi encontrar o papel de parede amarelo ideal. Devido a questões logísticas, a equipe precisou buscar fornecedores locais e chegou a testar entre 30 e 40 versões até encontrar a tonalidade e o padrão perfeitos. O objetivo era garantir que o cenário fosse imediatamente reconhecível pelos fãs da creepypasta, considerando também o impacto da iluminação, câmera e elementos de cena.

A iluminação exigiu soluções criativas. Em vez de luminárias tradicionais, foram usadas luzes de cinema suspensas e máscaras para simular o efeito surreal e incômodo das lâmpadas fluorescentes presentes nas imagens originais dos Backrooms.

Detalhes práticos e atmosfera imersiva

Para aumentar o desconforto dos atores e dar realismo ao set, a equipe construiu ambientes elevados e corredores físicos, inclusive túneis sobre estruturas de até 6 metros de altura. Elementos como pilhas de roupas foram incluídos para enriquecer o ambiente, embora o cheiro das roupas úmidas tenha tornado a experiência ainda mais marcante para a equipe.

Esses detalhes ajudaram a criar uma atmosfera autêntica e perturbadora, transportando o público para dentro do maior pesadelo coletivo da internet.

O impacto do filme e o futuro dos Backrooms

O sucesso de Backrooms: Um Não-Lugar mostra a força das lendas digitais na cultura pop e como elas podem ganhar novas dimensões no cinema. A abordagem inovadora da A24 em adaptar um fenômeno da internet para as telonas abre caminho para novas produções baseadas em mitos contemporâneos.

Além disso, o envolvimento direto dos criadores originais, como Kane Parsons, garante autenticidade e respeito ao material de origem, elemento fundamental para conquistar tanto fãs quanto novos espectadores.

Se você se interessa por terror tecnológico e fenômenos virais, aproveite para conferir também outros títulos do gênero, como os 10 filmes de terror tecnológico sugeridos pela Fast Company Brasil.

Em resumo, os Backrooms deixaram de ser apenas um meme assustador da internet para se tornarem um marco do terror contemporâneo, conquistando espaço nas salas de cinema e no imaginário coletivo.

FAQ:

O que são os Backrooms?

Backrooms são uma lenda urbana digital sobre um espaço interminável de corredores vazios, com papel de parede amarelo e luzes fluorescentes, onde pessoas “escorregam” para fora da realidade.

Quem é Kane Parsons, diretor de Backrooms?

Kane Parsons é um jovem cineasta de 20 anos que viralizou com vídeos sobre os Backrooms no YouTube e dirigiu o filme da A24 inspirado nessa lenda.

Como foi feita a ambientação do filme Backrooms?

O filme usou um enorme set físico com milhares de metros de papel de parede e carpete, combinando cenários reais e efeitos digitais para criar a atmosfera assustadora dos Backrooms.

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